1 - Quebra-cabeça de palavras e
frases
Resumo: Nesta sequência didática,
com duração de seis aulas, serão apresentadas aos alunos letras de música e
poemas, supostamente ainda desconhecidos por eles, pelo menos para a maioria.
Cada texto apresentado será como que embaralhado de duas maneiras: 1 - as
palavras componentes de cada verso. 2 - os versos componentes do texto. É dessa
forma que será apresentado ao aluno. O trabalho do aluno será remontar a forma
original dos versos e da distribuição dos versos no texto (havendo espaço
também para reconstruções que façam sentido).
Objetivos: pretende-se aí
trabalhar duas das maiores dificuldades na produção textual em geral: a
construção de cada frase e a distribuição, o equilíbrio das idéias ao longo do
texto, ou a coesão textual. Entende-se que desse modo o aluno não apenas
exercita essas construções de modo lúdico, tendo como base textos criativos,
bem escritos, como ainda empreende um movimento de conquista daquele texto, que
depois por ele será lido com mais curiosidade e afeto, justamente por ter
havido esse esforço pessoal até chegar à leitura da obra original. O trabalho pode
ser feito não apenas com textos mais previsíveis em sua forma, mas ainda com
construções que se utilizam de metáforas, desconstruções gramaticais,
linguagens subjetivas, não lineares, e outras formas mais incomuns de escrita.
2 - Rede de concatenações com
produção de texto de mote único
Resumo: nesta sequência, com
duração de seis aulas, cada aluno, ou dupla, escolhe uma palavra para elaborar,
a partir desta, uma rede de concatenações, investigando sua capacidade:
1 - Sinonímica léxica e semântica
2 - Antonímica léxica e semântica
3 - Analógica
4 - Metafórica
5 - Polissêmica
O aluno (ou dupla) buscará
palavras, termos e frases que possam de alguma forma se relacionar à palavra
escolhida. Para cada palavra associada, outras palavras e frases. Para cada
frase, outras frases e sintetizações. Buscando-se ainda clichês que possam ser
conectados às idéias.
O próximo passo é a construção de
uma letra ou um poema de mote único, fazendo-se uso das idéias que foram
concatenadas, a partir das seguintes etapas:
1 - Conexão das idéias,
distribuição, coesão + correções
2 - Adequação métrica + correções
3 - Análise estrutural + correções
4 - Análise semântica + correções
5 - Rastreamento de cacófatos e
semicacófatos + correções
6 - Acabamento final
*A produção pode ser feita tanto
com métricas originais, quanto a partir de métricas já existentes - há no
estudo de poética musical a previsão sobre esse último tipo de produção. E
pode-se estender a idéia para qualquer tipo de temática, que não apenas as de
mote único. Pode-se, por exemplo, iniciar a rede de concatenações a partir de
uma frase dada, ou de uma idéia qualquer.
Objetivos: outra grande
dificuldade na produção textual é a associação e a conexão de idéias
provenientes de múltiplos universos. Esse tipo de exercício pode e deve também
ser utilizado como "aquecimento", antes de se iniciar atividades de
produção textual. Não há como se escrever bem, se não se "pensa bem".
Essas conexões, que são nossa própria maneira de pensar criativamente, uma vez
trabalhadas no ambiente escolar, ampliam o horizonte dos alunos para a
investigação silógica. Há que se ultrapassar a idéia de listas diretas e
apresentar ao aluno também as possibilidades metafóricas, semânticas,
antonímicas semânticas, sonoras, entre outras, de se pensar determinado objeto.
3 - Argumentação
Resumo: esta sequência, com
duração de oito aulas, prevê a análise e o debate de problemáticas relativas à
qualidade e à potência da argumentação, a partir de letras de música e poemas.
No caso de letras de música e poemas o argumento pode ser também abstrato,
rítmico, sonoro, alegórico, entre outros. Palavras que se juntam para criar
rítmicas interessantes ou colaboram positivamente para potencializar a
musicalidade, ainda que não carreguem sentidos evidentes, podem ser
consideradas bons argumentos. Quanto a outros tipos de texto podemos ter
melhores ou piores resultados a partir da observação de questões como verdade e
inverdade, romantização, absolutismos, temáticas e idéias recorrentes,
ideologia, aproveitamento de espaço, assuntos que serão abordados caso a caso.
Serão discutidas ainda questões como: a idéia, frase e ou palavra apresentada
contribui positivamente? De que forma? Diz algo que importa na atualidade? Tem
afeto? Traz alguma reflexão ou imagem, concreta ou abstrata? Apresenta
sonoridade interessante? Tenciona ou relaxa? De alguma forma "brinca no
ouvido"? Liga-se a outras idéias do texto, de modo coeso e coerente?
Objetivos: fazer com que o aluno
adquira maior conhecimento das possibilidades e impossibilidades
argumentativas, destreza silógica, além de responsabilidade sobre o que ele
mesmo articula ou replica, reforçando nele a idéia de que a argumentação está
relacionada a toda sua comunicação cotidiana, nos aspectos profissionais,
sociais e também afetivos, sendo, portanto, o que o afirma e o posiciona no
mundo.
4 - Da métrica ao ritmo
Resumo: por meio de análises e
mapeamentos métricos, além de fruições estéticas e sensíveis, esta sequência,
com duração de quatro aulas, apresenta ao aluno o mundo da rítmica das
palavras, das sentenças e dos textos em geral. Para este fim, são utilizados em
princípio letras de música e poemas com métricas mais rígidas, ou mais
clássicas, e de forma progressiva, vai-se inserindo métricas mais soltas, com
cada vez menos recorrências, até se chegar na rítmica dos textos em prosa.
Objetivos: demonstrar ao aluno, e,
principalmente, levando-o a sentir, que a métrica e ou o ritmo são a própria
respiração de um texto. Relacionam-se tanto com a estética e o estilo, como com
a intenção, o caráter do que é dito. Podem prender mais ou menos a atenção do
ouvinte ou leitor, ou até afastá-lo, dependendo de sua qualidade. Geralmente
são elementos muito pouco observados e quase nunca analisados com atenção
específica.
5 - Estilo:
Resumo: esta sequência, com
duração de doze aulas, discutirá junto aos alunos questões como: potencial
linguístico, bagagem lexical, plasticidade,
seleção vocabular, estilos sonoros, iconicidade, estilos semânticos,
linguagem denotativa e conotativa, deconstrução como estilo, a metáfora como
estilo, tipos gerais de estilo, polifonia textual, estilística, palavras
evocativas, palavras gramaticais, palavras lexicais, palavras nocionais,
palavras de significado afetivo, linguagem figurada, planos da linguagem,
clichê, gíria, fonologia, anominação, espectro semântico de cada palavra,
relações semântico-sonoras, especializações lexicais, reversão de expectativa,
tensão entre signos opostos, estilo e economia vocabular.
Objetivos: levar o aluno à
compreensão e experimentação, racional e sensível, de que estilo começa pelo
modo como se sente e se pensa a vida, como para ela se olha e como olhamos para
nós mesmos, nela inseridos. O estilo da redação é, portanto, anterior à
palavra, embora sem ela não se concretize. É também objetivo desta sequência
aproveitar ao máximo essa experiência lúdica, para se trabalhar junto ao aluno
importantes aspectos da língua portuguesa, que geralmente são vistos como
entediantes e desconectados da realidade prática. Aqui, elementos como palavras
evocativas, gramaticais, lexicais, nocionais, planos da linguagem, linguagem
conotativa e denotativa etc, ganham sentido objetivo, uma vez que o estilo,
neste trabalho tratado como forma de se olhar o mundo e nele se colocar,
constrói-se também por essas ferramentas.
6 - Sonoridade:
Resumo: Nesta sequência, com
duração de seis aulas, a sonoridade recebe especial atenção. Ainda que no
projeto didático "Poética Musical, já seja assunto discutido, entende-se
que o aluno deve aprofundar-se no tema, por ser a sonoridade um dos mais
importantes pilares textuais. A sonoridade seduz, mas também afasta, dependendo
de seu uso. Mas muito mais que isso, está diretamente ligada à estética, à
beleza, aqui entendida como um dos dois principais aspectos que podem levar o aluno a gostar de
ler e escrever, sendo o outro a argumentação em si, no sentido da transmissão e
recepção de uma idéia qualquer. Se o argumento é a alma de um texto, a
sonoridade é o corpo, sua beleza física, seu aspecto mais "visual", ainda
que apenas auditivo. E, neste caso, o aluno deve ter a oportunidade de
participar da beleza do discurso, aumentando suas chances de se deixar ser por
ele seduzido. É, portanto, uma experiência da máxima importância. E é por esse
motivo que a estética tem sido tratada, de diferentes formas, em vários
capítulos deste livro. Nesta sequência serão mais uma vez abordadas
problemáticas como cacófatos e semicacófatos, repetição de palavras, negativas,
trava-língua, motz el som, consoantes de ataque, e, por outro lado, variados
casos de êxitos sonoros.
Objetivos: despertar no aluno a
atenção necessária para a apreciação estética das palavras, da sentenças, dos
textos em geral, no intuito desta ser uma importante ação para a formação de
mais leitores e produtores textuais.
7 - Figuras de linguagem
Resumo: esta sequência, com
duração de seis aulas, traz múltiplos exemplos de figuras de linguagem
presentes em letras de música. Opta-se aqui por apresentar ao aluno, e discutir
junto a ele, não apenas as figuras de linguagem inseridas em contexto real, e
em ambiente lúdico (muitas vezes também afetivo), como mostrar-lhe variados
exemplos de cada um dos fenômenos.
Objetivos: entende-se que dessa
maneira, a partir de múltiplos exemplos de um mesmo elemento, o aluno pode
vivenciar de forma mais aprofundada os conteúdos, experimentando em si próprio
as muitas possibilidades de se lidar com um mesmo objeto. E, por isso, perceber
não só os vários caminhos possíveis, mas outros que, a partir de seus próprios
processos criativos, podem advir dessa experiência; e para isso é preciso
tempo, aprofundamento, mergulho. O que certamente o leva a assimilar de modo
mais efetivo, mais internalizado, no caso, as linguagens figuradas. Neste
momento, é importante que se chame atenção para a prática comum no ambiente
escolar, de se querer extrair, de uma só vez, muitos elementos de um mesmo
objeto. Esse procedimento pode funcionar para efeito de visão global de
determinado objeto, mas dificilmente levará o aluno a experenciar e assimilar
de forma aprofundada, sensível, subjetiva, os conteúdos.
8 - Linguagem subjetiva
Resumo: a linguagem subjetiva é um
tipo de comunicação cada vez mais utilizado em letras de música, poemas e na
própria comunicação global do ser humano. É a linguagem que procura não
estabelecer verdades, que abre espaço para uma interpretação independente por
parte do leitor ou ouvinte, a partir de suas próprias experiências e sua
bagagem intelectual, cultural e sensível. É também uma linguagem que se utiliza
de símbolos, colagens, reticências, apenas como indicadores de caminhos. É e,
em muitos casos, a linguagem dita interativa, da qual tanto falamos nos dias de
hoje. Esta sequência, portanto, com duração de quatro aulas, pretende
apresentar ao aluno, mas também levá-lo a produzir, essa forma outra e
altamente contemporânea de se comunicar.
Objetivos: fazer com que o aluno,
a partir de apreciação, discussão e criação, conheça mais a fundo essa forma de
comunicação, levando-o também a reconhecer cotidianamente conteúdos dessa
natureza, que estão inseridos em diversos momentos de sua leitura, não apenas
de textos, mas do mundo. E, ainda, fortalecer neste aluno a apreciação do
diálogo e do pleno reconhecimento das várias outras subjetividades que não
somente a sua.
9 - Escrita intuitiva
Resumo: ainda que a escrita seja
uma ação coordenada e uma organização de variados elementos, são muitos os
autores, escritores, redatores, articuladores, produtores de texto em geral,
que rejeitam a idéia de seu planejamento. Planejar a escrita, para tantos
desses criadores, tende a inibir caminhos intelectuais e sensíveis,
surpreendentes até mesmo para quem os percorre, que somente o deixar-se levar
pelas idéias pode produzir. Nas palavras de José Saramago: "Para mim,
seria impensável estabelecer um plano rígido para o livro, com cada coisa no
seu lugar e um lugar para cada coisa. As associações de idéias, processo mental
que não controlamos, podem levar-nos por caminhos que não havíamos
previsto...não devemos esquecer que o texto é inseparável do momento em que é
escrito. Há muito de aleatório no que se escreve". Isso não quer dizer que
a sequência didática aqui proposta, com duração de quatro aulas, para produção
intuitiva de texto, vá de encontro às tradicionais formas planejadas. Trata-se
de uma prática complementar, que pretende propiciar ao aluno a visão das várias
maneiras pelas quais ele pode se lançar no processo de produção textual.
Objetivos: além dos objetivos
citados logo acima, este trabalho visa também colocar o aluno diante de seus
processos mais subjetivos de criação, de suas mais íntimas e autônomas
elaborações sensíveis e silógicas, de seus conhecimentos até por si mesmo
desconhecidos. É uma prática que aposta na também já comentada significação
latina da palavra educar, originalmente educare, que significa "retirar
de", em contraposição à nossa visão educativa que trabalha para
"colocar em".
10 - Letras de canções de todos os
estados brasileiros
Resumo: nesta inusitada sequência
didática, com duração de seis aulas, o aluno tem a oportunidade de conhecer,
analisar e experenciar fruitivamente os variados tipos de vocabulários e
construções textuais presentes nos diferentes estados brasileiros, a partir de
letras de canção. Para isso, o autor deste livro empreendeu uma ampla pesquisa
de canções de cada estado brasileiro, que apresentam em suas letras termos,
maneirismos, gírias, enfim, vocabulários específicos de suas localidades.
Objetivos: apresentar ao aluno um
espectro geral das várias formas de usar a língua portuguesa no Brasil,
trabalhando nele, além das questões léxicas e sonoras, a abertura para uma
maior aceitação das diferenças culturais. Essa maior aceitação, tanto leva o
aluno à diminuição de preconceitos, quanto ao seu enriquecimento lexical,
estético e cultural.
11 - Elaboração de projeto
cultural
Resumo: nesta sequência didática,
com duração de seis aulas, os alunos têm acesso a quatro diferentes projetos
culturais completos, por meio dos quais são discutidos e trabalhados todos os
aspectos que envolvem a elaboração dos mesmos. O aluno também produzirá seu
próprio projeto cultural, em grupo ou individualmente.
Objetivos: apresentar ao aluno
elaborações intelectuais e ações que se utilizam de vários planos de abordagem,
desde a apresentação geral do projeto, e da descrição de seus objetivos e
justificativas, até os planejamentos estratégicos de divulgação, logística e
cronograma, e, ainda, o levantamento e planejamento orçamentário, e sua
finalização, por meio da prestação de contas. Estes procedimentos levam o aluno
a ampliar sua capacidade geral de argumentação, elaboração e visão sistêmica, e
a multiplicidade de seu olhar, ao ter que lidar, de uma só vez, com diferentes
universos da atuação humana.
12 - Poemas musicados
Resumo: esta sequência didática, com
duração de quatro aulas, apresenta ao aluno, para apreciação, análise e debate,
uma seleção acurada dos casos mais bem sucedidos de poemas que foram musicados
por compositores brasileiros. Essa pesquisa aprofundada para seleção dos poemas
musicados é decisiva para que o aluno se interesse por esse tipo de produto,
especialmente pela poesia nele contida, uma vez que há um espectro enorme de
trabalhos dessa natureza que recaem em criações artísticas de qualidade
duvidosa, que muitas vezes beiram o devaneio musical e até a aberrações na
relação música/texto. Por isso, não é qualquer poema musicado que deve ser
levado aos alunos, ainda que sejam criações de poetas e músicos consagrados,
sob pena de causar jovens e adolescentes muito mais rechaçamento do que interesse
diante desse tipo híbrido de criação.
Objetivos: propiciar ao aluno um
maior contato com a poesia, bem como aprofundá-lo ou iniciá-lo na obra de
importantes poetas, de forma ainda mais lúdica de como se dá no trabalho
escolar desse gênero. Levar o aluno a apreciar ainda as relações sonoras
resultantes dessa interação das duas artes, poesia e música.
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